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Sindimate'RS

O Sindicato da Indústria do Mate do Estado do Rio Grande do Sul – SINDIMATE - RS, Pessoa Jurídica de Direito Privado representativa de classe, inscrita no CNPJ sob n º. 92.954.031/0001-08, com sede na Av. Assis Brasil, 8787, Bl. 10 (FIERGS) em Porto Alegre, RS, foi criado em 11 de maio de 1942, conforme Carta Sindical D.N.T. nº. 29.331 de 1941, a presente carta foi registrada no livro nº 08 fls.15. Atua e representa mais de 200 (Duzentas) indústrias no Estado do Rio Grande do Sul, com milhares de pessoas envolvidas na cadeia produtiva. Sua base territorial é o Estado do Rio Grande do Sul, exceto o Município de Erechim – RS. Conforme seu Estatuto Social, tem como objetivo o interesse de seus associados, e trata das demandas que afetarão, não só as Indústrias representadas pelo ente sindical, mas toda a cadeia produtiva.

A "Santa e Milagrosa" Erva Mate

Para os índios Quichuas, antecessores dos Incas, que habitavam o Peru, a erva mate era uma planta sagrada. Tanto, que ela foi encontrada junto aos seus alimentos e túmulos. Para obtê-la andavam 3 a 4 mil quilômetros até o sul do Brasil. Tem-se registros de outras tribos do Chile e Bolívia, que a permutavam com os aborígenes brasileiros.

Seus semelhantes brasileiros, os índios caigangues e guaranis, também a consideravam uma “planta sagrada”, pois dela extraiam alimentos, remédios e estimulantes.

Na disputa pelas terras além mar, a partir dos idos de 1.500, chegaram no continente americano, portugueses e espanhóis. No século XVII, chegaram os Jesuítas da Companhia de Jesus com a missão de catequizar os índios sul-americanos, que viviam no pampa gaúcho, território composto pelos países no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Aqui formaram as famosas Reduções das Missões edificando 7 grandes Redutos. No Brasil a mais conhecida é aquela localizada em Santo Ângelo/RS.

Nas suas pregações, os jesuítas observaram que os índios tinham o hábito de alimentarem-se de uma bebida feita das folhas de uma planta-arbórea – a Ilex paraguariensis, a popular erva mate. Num primeiro momento, os jesuítas a classificaram como a “erva do diabo”, pois perceberam que a bebida daquela planta os deixava irriquietos, muito dispostos e sexualmente mais ativos. De nada adiantou proibir seu uso, castigar seus consumidores e ex-comungar seus adeptos. Assim, passaram a estudá-la, reproduzi-la, melhorando a forma de consumi-la. Suas propriedades milagrosas singraram os mares e espalharam-se pela Europa, como “chá dos jesuítas”.

Por mais de século e meio (1610-1768), os padres mantiveram o comércio de seus produtos na forma de chás e chimarrão. Há registros de que houveram plantações de 500 ha na região das missões jesuíticas.

Com a retirada dos padres jesuítas, os tropeiros, bandeirantes e mascates mantiveram a comercialização do produto, no lombo das tropas de mulas, desde o Rio Grande do Sul até Minas Gerais. No ano de 1804, há registros do Porto de Paranaguá, da intensa exportação brasileira de erva mate, que passaram a ocupar os porões de navios, viajando milhares de quilômetros até atingir mercados europeus, americanos e principalmente os países do prata.

Devido à indústria do mates, criava-se novos povoados monopolizava-se capital e trabalho. Por esta razão, em 19/12/1853 o Estado do Paraná tornou-se independente e desmembrou-se do Estado de São Paulo. Seus produtos da década de 1920, chegaram a ser moeda na época e principal produto brasileiro de exportação.

Seu uso ganhava diariamente novos adeptos, seu comércio proliferava, mas intensificava-se a exploração dos ervais nativos concentrados na região sul brasileira.

Por volta de 1930, os imigrantes que aportaram a região do Alto Uruguai, russos, poloneses, alemães, italianos, judeus e outros, já tinham aprendido o uso e a lida com esta planta, pois os ervais nativos eram abundantes. Assim, surgiram dezenas de empresas familiares, especialmente no município de Erechim e Getúlio Vargas, provocando o crescimento econômico destas comunidades – o chamado Ciclo da Erva mate.

Os três Estados do sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, reinavam absolutos na produção e comercialização da erva mate. Nosso estado, era o principal produtor e consumidor dos produtos ervateiros até a década de 60.

Mas, o grande consumo e a exploração predatória de nossos ervais nativos, aliada a intensa exploração madeireira, dizimavam nosso “ouro verde”. Começou a faltar matéria prima, a soja entrava no Brasil na década de 70, especialmente na região sul, como um produto rentável. Arrancaram-se milhares de hectares de ervais, e o Rio Grande do Sul perdeu sua posição privilegiada de maior produtor. Hoje, importa 50% da erva consumida, dos Estados de Santa Catarina, Paraná e ultimamente da Argentina. Esse país era nosso principal importador, pois a planta da erva mate ocorre naturalmente em uma pequena região, na Província de Missiones. Desde logo, os hermanos perceberam o grande potencial desta planta, e a partir da década de 30, quando éramos grandes exportadores, o governo argentino estimulou o plantio maciço de ervais. Quando perdemos nosso mercado na década de 60, o produto argentino ocupou nosso espaço no mercado externo. Hoje são auto-suficientes, com excedente de produção, cujo segmento é extremamente organizado, politicamente fortes, e economicamente poderosos. Por isso, a erva mate é um produto sensível até o ano 2.030, sendo proibido sua importação.

Embora todas estas adversidades, e as mutilações sucessivas anuais dos facões a extrair a última folha desta extraordinária planta, para dar ao seu senhor dinheiro e bem estar, ela brota exuberante na estação primaveril.

Depois de um período obscuro, ressurgiu suas milagrosas propriedades medicinais e alimentícias, pela cultura e costumes acalentados do novo “movimento gaúcho”, especialmente nos festivais de músicas nativistas, que atraiam milhares de jovens em busca de sua identidade de gaúcho.

De cuia em cuia, de mão em mão, na sua “santa” missão, agrupa irmãos, proporciona novas amizades, e pelo espírito empreendedor do gaúcho, espalha-se pelo Brasil, arraigando-se nos Estados do Mato Grosso, Bahia, Tocantins, Maranhão, Rondônia e o distante Acre

Quando o mundo, e principalmente os países industrializados buscam produtos naturais, pela exigência de seus consumidores, a “santa e milagrosa” erva mate desperta a atenção de especialistas japoneses, alemães, franceses, austríacos, americanos e brasileiros. Descobre-se que nosso ouro verde tem mais de 150 princípios ativos, concentra magnésio em suas folhas, um dos elementos minerais tidos como responsáveis pela longevidade dos seres humanos (quem sabe esta é uma das razões do gaúcho ser o povo com maior expectativa de vida no Brasil). Também que, possui propriedades anticépticas, capazes de eliminar as temíveis bactérias e fungos causadores das infecções hospitalares, entre outros tantos atributos.

Todavia, esta planta que é um laboratório vivo, reserva outras surpresas esplêndidas. Numa interação entre clima, solo e genética vegetal, existem regiões no Rio Grande do Sul contempladas com um produto de características de gosto e paladar fraco e suave aos apreciadores do chimarrão. Além, de ser berço natural deste exuberante e magnífico cidadão vegetal. Trata-se de uma planta endêmica, que só existe mundialmente e naturalmente no sul do Brasil, noroeste da Argentina e a parte oriental do Paraguai.

Sempre foi uma “poupança verde” aos pequenos proprietários rurais, não há seca e nem enchentes que destruam sua produção, sua colheita pode ser anual, convive com outras culturas agrícolas e florestais incrementando a receita por hectares, suas folhas percorrem até 200 km, para chegar as indústrias, mantendo o mesmo preço.

Sabemos que, se lhe dermos um mínimo de retribuição, com manejo tecnicamente correto nas podas de formação e colheita, cobertura de solos e adubação, poderemos triplicar a produção na mesma área, e agregar a região mais alguns milhares de reais. Isto é sem dúvida, uma dádiva divina.

A solução de muitos dos nossos problemas econômicos, sociais e ambientais estão aqui, mas ainda não aprendemos a garimpar este ouro, que é verde.

Ah, santa bendita e milagrosa cidadã vegetal, quem sabe em alguma cidade do Rio Grande do Sul, você receba a sua “beatificação” e se erga uma catedral (o museu) e uma estátua em reconhecimento aos seus relevantes rendimentos a sua pátria. Mas, se isto não acontecer pelo desprezo dos seus, no terceiro milênio você será reconhecida como cidadã do mundo, e certamente seus descendentes colonizarão outros continentes, e lá continuarás a fazer milagres!

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